Advogada é forçada a fechar escritório após defender igreja perseguida na China

  • 10/09/2026
Advogada é forçada a fechar escritório após defender igreja perseguida na China
Advogada é forçada a fechar escritório após defender igreja perseguida na China (Foto: Reprodução)

A advogada chinesa Ruth Wang, que atuou na defesa de pastores e membros da Igreja Zion, uma das maiores igrejas não registradas da China, deixou o país após passar a sofrer pressão das autoridades comunistas por causa de seu trabalho.

Sócia do escritório VDoor Law Firm, Ruth integrou a equipe jurídica que representou líderes da igreja após uma grande operação realizada pelas autoridades chinesas em outubro de 2025.

Agora, a própria advogada teme se tornar alvo do regime, segundo afirmou em entrevista à Associated Press.

“Se, como sócia da empresa, eu não cooperar e assinar o acordo de dissolução, o que acontecerá depois?”, disse Ruth em uma entrevista por vídeo online de Taiwan.

“Acredito que isso certamente afetará seriamente meu desenvolvimento profissional e outros aspectos da minha vida.”

Ruth estava de férias no Japão com sua família quando recebeu uma ligação de autoridades chinesas pedindo que comparecesse pessoalmente a uma reunião em Pequim.

Como estava fora do país, informou que não poderia comparecer e decidiu não retornar à China.

A advogada seguiu com sua família para Taiwan, onde recebeu autorização para permanecer temporariamente enquanto procura uma alternativa de reassentamento em outro país.

Pressão contra os advogados

Segundo Ruth, autoridades chinesas determinaram que ela e seus colegas dissolvessem o VDoor Law Firm, sob ameaça de fechamento do escritório.

A pressão contra a equipe jurídica já vinha aumentando. Zhang Kai, fundador do escritório e mentor de Ruth, teve sua licença profissional revogada e foi impedido de deixar a China. Outros advogados receberam suspensão de seis meses.

De acordo com Ruth, autoridades judiciais também exigiram que profissionais do escritório deixassem de representar casos relacionados à Igreja Zion. Alguns advogados que tentaram mudar para outros escritórios também teriam enfrentado restrições.

O fundador da organização ChinaAid, Bob Fu, afirmou que o caso demonstra os riscos enfrentados por advogados que defendem cristãos perseguidos no país.

“Por seus clientes incluírem líderes detidos ligados à Igreja Zion de Pequim, ela passou a temer que pudesse ser o próximo alvo”, afirmou Fu.

Ele pediu que Taiwan proteja Ruth e sua família contra uma possível devolução forçada à China e solicitou que os EUA e outros países ajudem a encontrar uma solução segura para eles.

Perseguição à Igreja Zion

A pressão sobre os advogados ocorre em meio à perseguição contra a Igreja Zion, fundada pelo pastor Ezra Jin em 2007.

A congregação é considerada uma das maiores igrejas domésticas não registradas da China.

(Foto: Reprodução)
Pastor Ezra Jin concede sua primeira entrevista após ser libertado da prisão na China. (Captura de tela/YouTube/Sky News)

Estimativas apontam que ela reúne mais de 5 mil cristãos e mantém mais de 100 locais de culto em cerca de 40 cidades chinesas, incluindo reuniões realizadas em apartamentos, restaurantes e outros espaços.

Em outubro de 2025, autoridades realizaram uma ampla operação contra a igreja. Entre os presos estava o pastor Ezra Jin, fundador da denominação.

Jin permaneceu detido por quase nove meses e foi libertado em julho deste ano. Sua situação chegou a ser abordada pelo presidente Donald Trump, em uma reunião com o líder chinês Xi Jinping, em maio.

Outros líderes da igreja também foram libertados, mas oito líderes da Igreja Zion permanecem presos no Centro de Detenção de Beihai, na província de Guangxi, aguardando novos procedimentos judiciais, segundo a organização ChinaAid.

Mesmo após a libertação de Jin, a pressão contra pessoas relacionadas à Igreja Zion continua, incluindo os advogados que atuaram em sua defesa.

Futuro incerto

Ao chegar a Taiwan, Ruth pediu ajuda às autoridades locais e solicitou permissão para permanecer no território enquanto buscava apoio de outros países.

Taiwan não possui uma legislação formal para concessão de refúgio político e mantém uma relação especialmente delicada com cidadãos vindos da China continental.

O Conselho para Assuntos do Continente de Taiwan informou, porém, que existe um mecanismo para lidar com situações desse tipo.

Ruth avalia alternativas para se estabelecer com a família nos EUA ou no Canadá, inclusive por meio de estudos. Caso isso não seja possível, considera solicitar asilo em outro país.

“Eu sinto que nossa família está enfrentando um futuro incerto. Não sabemos o que acontecerá ou se haverá algum lugar que possa nos acolher”, disse ela à AP.

Em meio à incerteza, a advogada afirmou que encontra esperança em uma história bíblica.

Ruth recordou o relato do livro de Rute, quando a personagem bíblica chegou a uma nova terra enfrentando um futuro incerto e encontrou em Boaz alguém que a acolheu e ajudou.

Comparando sua situação à narrativa bíblica, a advogada declarou:

“Eu também creio que Deus me dará uma pessoa assim.”

FONTE: http://guiame.com.br/gospel/missoes-acao-social/advogada-e-forcada-fechar-escritorio-apos-defender-igreja-perseguida-na-china.html


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